Lúpus para o ESTER: guia de revisão por critérios
Postado em: 28/01/2026
Resumo e leitura rápida do texto (TL;DR):
- Introdução: ANA positivo é pré-requisito para aplicar EULAR/ACR 2019 (classificação).
- Estratégia: mapear o caso por domínios (mucocutâneo, hematológico, renal, neuropsiquiátrico, imunológico) e checar coerência clínica + diagnósticos diferenciais.
- Erro clássico de prova: não concluir LES apenas com ANA positivo.
- Pistas fortes no enunciado: anti-dsDNA e/ou anti-Sm + complemento baixo (C3/C4) aumentam muito a probabilidade de LES (ainda exigir coerência clínica).
- Se a questão for conduta: hidroxicloroquina como base quando indicada; minimizar/desmamar glicocorticoide; escalonar imunossupressores/biológicos conforme órgão-alvo e gravidade.

Se o lúpus no ESTER já te deu aquela sensação de “eu sei a teoria, mas travo na hora do caso clínico”, você não está sozinho.
Na prova, o LES costuma aparecer como um quebra-cabeça: uma pista aqui (rash, citopenia), outra ali (complemento baixo), e a resposta certa depende de encaixar critérios e diferencial sem perder tempo.
O bom é que dá para revisar o lúpus com método e sem virar refém de decoreba. A ideia deste guia é te entregar um roteiro de revisão por critérios, com os pontos que mais costumam derrubar e uma forma prática de transformar erros em plano de estudo.
Por que o lúpus no ESTER cai “por critérios”
Quando o LES cai em prova, ele raramente vem como “defina lúpus”. Ele vem como:
- Um caso clínico com achados misturados.
- Uma pergunta pedindo o próximo passo.
- Um enunciado que te testa em classificação, atividade, dano, e manejo.
Aqui entra uma distinção importante: critérios de classificação não são sinônimo de diagnóstico, mas eles organizam o raciocínio e aparecem muito em prova por serem “checáveis” e padronizados.
Os critérios EULAR/ACR 2019 exigem ANA positivo como critério de entrada e depois somatório ponderado por domínios, com ponto de corte para classificar LES.
O “erro clássico” de prova
O candidato vê ANA positivo e “fecha” LES. Só que ANA é porta de entrada, não linha de chegada, e o enunciado pode estar te conduzindo para outro diagnóstico do tecido conjuntivo.
Critérios ACR/EULAR 2019: como revisar sem decorar tabela inteira
A forma mais eficiente de estudar critérios é por domínios + gatilhos de prova. Em vez de tentar lembrar todos os pesos, use três perguntas:
- Tem ANA positivo? (Sem isso, nem entra no jogo de classificação)
- Quais domínios aparecem no caso? (Mucocutâneo, hematológico, renal, neuro, sorologias etc.)
- O conjunto faz sentido clinicamente? (Diferencial e coerência)
Checklist prático de critérios que costumam aparecer no enunciado
- Mucocutâneo: Rash agudo/subagudo, lesão discoide, úlceras orais, alopecia não cicatricial.
- Articular: Sinovite/ artrite inflamatória.
- Hematológico: Leucopenia/linfopenia, trombocitopenia, hemólise autoimune.
- Renal: Proteinúria e, quando o caso é “pancada”, sinais de nefrite.
- Imunológico: Anti-dsDNA, anti-Sm, anticorpos antifosfolípides, complemento baixo (C3/C4).
Dica: em prova, anti-Sm + anti-dsDNA + complemento baixo é quase um “neon” apontando para LES, mas o diferencial ainda importa.
Manifestações clínicas “com cara de pegadinha” no LES
O enunciado do ESTER costuma gostar do que confunde, principalmente quando há sobreposição com outras doenças.
Mucocutâneo: o que ajuda a separar
- Fotossensibilidade + rash com sintomas sistêmicos.
- Úlcera oral indolor como pista discreta.
- Alopecia não cicatricial em contexto inflamatório.
Hematológico: citopenias que contam história
- Citopenias em LES não são “anemia qualquer”.
- Pense em hemólise autoimune quando houver reticulocitose, LDH elevado, bilirrubina indireta e Coombs positivo.
Rim: quando o enunciado quer que você enxergue nefrite
Se aparecerem proteinúria, cilindros, hematúria dismórfica, hipertensão nova e complemento baixo, trate como “alto risco” até prova em contrário, e pense em conduta de avaliação/estratificação.
Como diferenciar LES de outras doenças do tecido conjuntivo (foco no que a prova cobra)
Aqui vale revisar por contraste: o que no caso “não fecha” LES e puxa para outro diagnóstico.
LES vs Síndrome Antifosfolípide (SAF)
- SAF pode coexistir com LES, mas o foco muda quando há tromboses, perdas gestacionais e anticorpos antifosfolípides.
- Em prova, isso aparece como: “paciente com LES e evento trombótico” → conduta e estratificação de risco.
LES vs Doença Mista do Tecido Conjuntivo (DMTC)
- DMTC costuma vir com fenótipo misto (esclerodermia/polimiosite/LES) e pistas sorológicas específicas (o enunciado costuma sinalizar isso).
LES vs Sjögren
- Sicca muito marcante, parótidas, fadiga + autoanticorpos específicos podem puxar mais para Sjögren, mesmo com ANA positivo.
LES vs Artrite Reumatoide
- Artrite erosiva típica, padrão clínico e sorologias direcionam — e a prova pode explorar “artrite inflamatória + rash” para ver se você cai no atalho errado.
Manejo e tratamento mais atual que tende a aparecer no ESTER
Quando a prova sai do diagnóstico e vai para “e agora?”, ela costuma cobrar princípios de diretriz: controle de atividade, prevenção de dano e redução de corticoide.
O “esqueleto” terapêutico que você precisa ter na cabeça
- Hidroxicloroquina é recomendada de forma ampla em LES, com atenção a dose e segurança.
- Glicocorticoide: usar quando necessário, mas com meta de minimizar e desmamar (a prova gosta de “qual estratégia reduz dano a longo prazo?”).
- Imunossupressores e biológicos: entram conforme órgão-alvo/gravidade e controle de atividade, especialmente quando há doença moderada a grave ou refratariedade.

O que costuma virar questão
- Ajuste de terapêutica para atingir remissão ou baixa atividade e prevenir flares.
- Escolha de terapia conforme órgão acometido (pele/articulação vs rim vs neuro).
- Cuidado com comorbidades e risco cardiovascular (tema cada vez mais presente em recomendações).
Perguntas frequentes – Lúpus no ESTER
1. Quais critérios de classificação de Lúpus são mais frequentes na prova?
Na prática, a prova costuma “misturar” domínios: mucocutâneo + hematológico + imunológico (anti-dsDNA/anti-Sm, complemento baixo). O caminho seguro é usar ANA como porta de entrada e organizar o caso por critérios ponderados (EULAR/ACR 2019).
2. Como diferenciar LES de outras doenças do tecido conjuntivo?
Pense em coerência clínica + padrão de órgão-alvo. Quando o enunciado traz fenômeno trombótico/gestacional, puxe SAF; quando a sicca é protagonista, pense Sjögren; quando há “fenótipo misto”, lembre DMTC. E não feche LES só com ANA.
3. Qual o manejo e tratamento mais atual cobrado no ESTER?
O foco tende a ser: controle de atividade com redução de corticoide, base terapêutica (como antimalárico quando indicado) e escalonamento conforme gravidade/órgão acometido, alinhado a recomendações atualizadas.
Fechando a revisão do lúpus no ESTER com método (e sem perder o ritmo)
Revisar lúpus no ESTER fica bem mais leve quando você para de “ler sobre lúpus” e começa a resolver lúpus: critérios → caso → erro → tarefa → repetição. É isso que dá previsibilidade no estudo, mesmo com rotina puxada.
Acesse o banco de questões do Teraquiz e transforme erros em tarefas guiadas por métricas.